Rodar o clássico Doom em dispositivos inusitados é uma tradição da comunidade gamer, mas o mais novo “console” a entrar na lista eleva o desafio a um nível técnico inédito. O desenvolvedor Aaron Christophel conseguiu portar o lendário jogo de tiro para a Xiaomi Smart Band 10, utilizando um SDK criado via engenharia reversa para superar as restrições impostas pela fabricante.
O projeto surgiu da curiosidade sobre o SoC da pulseira, o BES2700iMP, identificado internamente na Bestechnic como BEST1503. Como não há um kit de desenvolvimento público, o modder recorreu a um SDK vazado do chip BEST1306, usado em áudio. A partir desse código, ele reconstruiu a estrutura necessária para que o hardware da pulseira aceitasse novas instruções.
Apesar de compartilharem a mesma família ARM Cortex-M33, a adaptação não foi imediata. O chip da Smart Band 10 (BEST1503) possui maior quantidade de SRAM e gerencia um painel AMOLED com tecnologia de toque, recursos ausentes no chip de áudio (BEST1306). O maior problema identificado por Christophel reside na interface de exibição: enquanto o hardware seria capaz de operar em modo quad-SPI (QSPI), o port atual está limitado ao modo single-bit SPI.
